Aliviar a consciência não basta



Tudo o que fazemos na vida fica registado na nossa memória ou, melhor dizendo, consciência. E esse registo é provável que seja eterno. E que passe para a memória das gerações seguintes.

Muitas crianças nascem com traumas e talentos que vêm de algures muito antes do seu nascimento. E quem se dedica à hipnoterapia observa isso todos os dias nas ansiedades e sonhos racionalmente inexplicáveis dos seus clientes. 

Na nossa azáfama diária robótica inconsciente, acreditamos que podemos fazer algo a outras pessoas sem ninguém estar a ver. Mas esquecemos que há sempre alguém a ver: Nós próprios. E creio que isso vai ficar guardado na nossa memória bem como nalgum datacenter quântico (inconsciente) coletivo. Para sempre, para toda a vida. Para esta e eventualmente para outras vidas futuras.

Por isso quando fazemos alguma coisa mal o melhor a fazer é meditar no erro, pedir perdão, aos outros e também a nós próprios, e tentar não voltar a repetir. Mudando velhos hábitos e rotinas que deram origem a esses erros. E, assim, ir melhorando as memórias daquilo que julgamos que fazemos bem, a nós e a tudo o que nos rodeia.

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Mas não parece ser este o caminho de uma grande parte das pessoas da nossa sociedade. E nem dos seus líderes. Sejam políticos, religiosos, desportistas, artistas, jornalistas ou todos os outros hoje chamados de influenciadores.

Fazem grandes asneiras. Depois realizam uma pequena ação de marketing apenas para as limpar temporariamente da sua mente e da mente das pessoas que as seguem. E voltam a repetir as mesmas asneiras. 

É a maior das hipocrisias. E a sociedade, de memória curta, parece viver bem com isso. Com as contínuas maquilhagens das profundas rugas que vão cavando.

Aqui vão alguns exemplos:

Pecados

Na Igreja Católica (e outras) as pessoas fazem o que chamam de pecados e depois vão confessar-se ao padre e aliviar a culpa para logo a seguir voltarem a repetir os mesmos pecados ou outros ainda piores. Como diz um amigo meu "a Igreja também é um negócio, a paz esteja contigo e o dinheiro comigo".

Mas o confessionário não resolve o peso de consciência global que vai aumentando com o tempo. E a Igreja explica muito bem como se deve atuar profundamente, com a leitura das escrituras sagradas e os ensinamentos de Jesus.

Promessas eleitorais

Nas eleições repetem-se grandes promessas que não se conseguem cumprir. Depois fazem-se umas pequenas ações populares como por exemplo alcatroar estradas ou dar um prémio aos reformados uns dias antes do ato eleitoral e, assim, ficam esquecidas as grandes promessas.

Mais interessante ainda é que por vezes até se muda de líder ou de partido e ele vai repetir o processo. Começa por dizer mal do anterior líder e repetir as suas promessas e tudo continua na mesma. E o mais incrível é que muitas pessoas voltam a acreditar e a votar alternadamente anos a fio sem grande peso de consciência. As pequenas ações de alívio de consciência aparentemente resultam.  Esse é o poder do marketing.

E assim se consegue manter o status quo por muitos e bons anos.

Ambiente

Desperdiçam-se biliões de euros em fabrico e rebentamento de bombas e a queimar depósitos de combustível, em viagens aéreas inúteis, em lixo não reciclado, em todo o tipo de agressões ambientais por todo o planeta. E então, ao mesmo tempo, para aliviar a culpa, cria-se o sistema "Volta" para reciclar garrafas de plástico, colocam-se as tampas agarradas à garrafa ou proíbem-se as moedas de plástico nos carrinhos de compras e as palhinhas de plástico. Para aliviar a consciência. E tudo dorme melhor. E as enormes agressões ambientais continuam no dia a seguir. É o chamado famoso elefante na sala.

Alimentação saudável 

Compramos pão sem glúten e bolos sem açúcar para depois nos sentirmos bem a comer um bom cozido à portuguesa, uma feijoada à transmontana ou uma bela açorda alentejana seguida de um belo bolo de bolacha ou de chocolate.

Voluntariado e Guerras

Fizemos mal a muita gente no passado, nesta ou noutras vidas e depois temos o incontrolável desejo inconsciente de fazer voluntariado por cá ou até em África a ajudar outras pessoas. Para aliviar essa dor inexplicável há por aí muita gente que passa a vida a ajudar tudo e todos esquecendo-se de si própria, do seu corpo, da sua saúde e do que a sua alma sonha e anseia realizar nesta vida,

Criamos ou apoiamos guerras estúpidas e arrasamos países, regiões e populações inocentes. Depois criamos um fundo para a sua reconstrução.

Doenças 

Muitas doenças são somatizadas no corpo após longos anos a ignorar a consciência. Desde a esquizofrenia, a paralisia motora, o esquecimento crónico (Alzheimer), algumas doenças autoimunes e até a cegueira, podem ser o resultado de eventos traumáticos e ações maléficas não perdoadas, efetuadas por nós, por ancestrais ou descendentes próximos. 

O livro da médica neurologista irlandesa Suzanna O'Sullivan, "Isso é coisa de sua cabeça", aborda cientificamente o tema do efeito mental em inúmeras doenças catalogadas como incuráveis como as enunciadas acima.     

A consciência também está relacionada com a epigenética, a nova ciência que estuda a hereditariedade olhando mais para comportamentos, crenças e emoções e respetivas correlações com os genes.

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Mas, volto a repetir, a consciência parece ser eterna e se não se tratar o problema central tudo voltará a repetir-se num ciclo cármico infindável.

O poder de mudar, perdoando o nosso passado e vivendo de uma forma mais consciente e amorosa, está em nós. Podes continuar a usar o truque do alívio superficial de consciência mas como diz o juiz Helder Fráguas no programa de TV "A sentença": "Depois não se queixe!"


Mudanças profundas precisam por vezes de ser iniciadas. Dar um salto de fé no desconhecido. Confiar que tudo vai ficar cada vez melhor com essas mudanças, com novas rotinas, novas amizades, novos locais.

 Tu consegues, Usando o poder superior que tens dentro de ti. Porque tu não és um computador.

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