O vazio existencial e a felicidade

Escultura Melancholy (Melancolia) do artista romeno Albert György
Escultura Melancholy (Melancolia) do artista romeno Albert György

De acordo com Clovis Barros Júnior, muitos dos grandes filósofos da antiguidade acreditavam que viemos a este mundo provenientes de um outro "mundo" em que tínhamos tudo, éramos completos e felizes e que só lá voltaremos após a nossa morte. Por isso talvez essa sensação tão comum de que nos falta alguma coisa e que temos que procurar preencher esse vazio com qualquer coisa que nos dê prazer imediato: Posse de coisas, comida, sexo, fama, alcool, tabaco, drogas, viagens, amizades, etc. Chamavam-lhe vazio existencial. E a grande notícia é que esse vazio nasce e morre com cada um de nós e jamais se conseguirá preencher. Faz parte da nossa condição humana.

Amigo ou inimigo

Podemos lidar com ele de uma forma positiva ou negativa. É uma escolha nossa. Se o olharmos positivamente teremos mais paz de espírito e abrandaremos a euforia diária de fazer mil coisas cada vez mais perfeitas porque assim vamos ser felizes. Não vamos. Apenas teremos mais alguns momentos de prazer mas o vazio vai lá continuar.

Se olharmos para ele de uma forma negativa iremos certamente viver em guerra conosco próprios toda a vida, uma guerra perdida porque ele faz parte da condição humana. Em casos limites, o nosso ego que julga que pode tudo, pode mesmo ser tentado a enveredar pelo caminho do suicídio e, assim, criar ainda mais dor e infelicidade para nós próprios e para todos os que nos rodeiam. Porque a consciência é eterna, as memórias ficam e a lei de causa e efeito não perdoa. O suicídio é a pior solução existencial.

Dizem que o filósofo Sócrates quando foi preso para ser executado, alguém o tentou ajudar a fugir da prisão mas ele recusou pois tinha a certeza que finalmente iria voltar a ser completo novamente. Sem suicídio. Loucura, não é?

É interessante pensar que se isto for verdade, se este devaneio filosófico tão antigo tiver alguma razão de ser, a grande causa de todas as guerras que é a legítima defesa, fica sem sentido. Defesa do quê? Se podemos voltar a ser completos, sem ter que pagar o preço elevado do suicídio, porquê tantas armas, supostamente de defesa? E, por outro lado, será que, se matarmos alguém, esse alguém é que fica completo e feliz e nós é que ficamos com o peso na consciência para toda a existência do ato praticado?

Esta visão filosófica coloca o mundo de pernas para o ar, não é?

Os outros

Uma das grandes consequências deste vazio existencial é a de apontarmos para os outros a razão da nossa incompletude e infelicidade. Quem não se consegue lembrar que o vazio que o acompanha é temporário e que, naturalmente, um dia irá desta para melhor, vai andar sempre a culpar os outros por tudo o que lhe acontece: O governo, os vizinhos, os ricos, os pobres, os estrangeiros, os islâmicos, os judeus, os não vacinados, os benfiquistas, etc... Sempre haverá alguém para culpar e assim aliviar a dor desse vazio.

O vazio não vai desaparecer. Por isso deixemos os outros em paz, eles pagarão pelos seus atos, e cuidemos do que mais facilmente podemos cuidar: Nós. O nosso potencial e o nosso vazio.

Podemos ser felizes sozinhos mas, claro, com bons amigos por perto, a felicidade será muito superior. Por isso o melhor caminho é dar. Dar pelo prazer de dar para vir a receber mais tarde de tudo e de todos, pelo prazer de receber.

Dizem que um dia perguntaram a Deus porque é que Ele, sendo omnipotente, não fazia com que todos fossem felizes e que Ele respondeu: - É muito fácil, basta que cada um seja.

Hipnoterapia

A hipnose é uma técnica bem antiga de trazer ao consciente todas as memórias vividas por uma pessoa, nesta vida e, mais estranho, noutras vidas, noutros mundos e dimensões completamente irracionais para o ego consciente terraquio comum.

O que é facto é que muitas pessoas com grandes distúrbios mentais, emocionais e até biológicos, encontram a paz de espírito para uma vida mais feliz e saudável ao descobrirem quem ou o que são, de onde vieram e o que fazem aqui, quando trazem ao consciente algumas memórias e quando percebem que as outras pessoas também têm memórias estranhas que lhes toldam o seu comportamento estranho.

O inconsciente governa mais de 90% da nossa vida. E da vida dos outros também. Poderoso não é?

Mas tu não és um computador e tens (10%) o poder de reprogramar a tua vida para cada vez melhor.

Na correria do dia a dia, distraídos com as rotinas da vida mundana, não ligamos aos sinais que a vida nos vai dando, nas várias situações em que nos sentimos únicos, diferentes, conscientes. E um dia, cansados de tanto nos apelidarem de "loucos" ou, sem querermos, tropeçarmos num evento imprevisto, que rompe abruptamente as nossas rotinas e todas as memórias antigas, especialmente as mais traumáticas, vêm ao de cima desequilibrando a nossa vida por completo. É nessa altura que precisamos de voltar a olhar para nós, para tudo o que fizémos, para os nossos talentos e valências, mas também, com amor, para o nosso vazio existencial e, nalguns casos, ter a humildade de pedir ajuda. Certamente, um irmão nosso deste planeta está por aí perto pronto a dar a mão, com amor, pois já superou ou ajudou a superar situações idênticas.

E sabe, tal como nós, que podemos sempre encontrar soluções e desfrutar da vida com alegria e felicidade em todos os momentos, por mais dramáticos que pareçam, através do amor. Esse é o único caminho. 

E que tudo é temporário e, mais tarde ou mais cedo, vamos todos desta para melhor.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Treinar para a reforma

Tu és Antifrágil

Tu não és um computador