O vazio existencial e a felicidade
De acordo com Clovis Barros Júnior, muitos dos grandes filósofos da antiguidade acreditavam que viemos a este mundo provenientes de um outro "mundo" em que tínhamos tudo, éramos completos e felizes e que só lá voltaremos após a nossa morte. Por isso talvez essa sensação tão comum de que nos falta alguma coisa e que temos que procurar preencher esse vazio com qualquer coisa que nos dê prazer imediato: Posse de coisas, comida, sexo, fama, alcool, tabaco, drogas, viagens, amizades, etc. Chamavam-lhe vazio existencial. E a grande notícia é que esse vazio nasce e morre com cada um de nós e jamais se conseguirá preencher. Faz parte da nossa condição humana.
Amigo ou inimigo
Podemos lidar com ele de uma forma positiva ou negativa. É uma escolha nossa. Se o olharmos positivamente teremos mais paz de espírito e abrandaremos a euforia diária de fazer mil coisas cada vez mais perfeitas porque assim vamos ser felizes. Não vamos. Apenas teremos mais alguns momentos de prazer mas o vazio vai lá continuar.
Se olharmos para ele de uma forma negativa iremos certamente viver em guerra conosco próprios toda a vida, uma guerra perdida porque ele faz parte da condição humana. Em casos limites, o nosso ego que julga que pode tudo, pode mesmo ser tentado a enveredar pelo caminho do suicídio e, assim, criar ainda mais dor e infelicidade para nós próprios e para todos os que nos rodeiam. Porque a consciência é eterna, as memórias ficam e a lei de causa e efeito não perdoa. O suicídio é a pior solução existencial.
Dizem que o filósofo Sócrates quando foi preso para ser executado, alguém o tentou ajudar a fugir da prisão mas ele recusou pois tinha a certeza que finalmente iria voltar a ser completo novamente. Sem suicídio. Loucura, não é?
É interessante pensar que se isto for verdade, se este devaneio filosófico tão antigo tiver alguma razão de ser, a grande causa de todas as guerras que é a legítima defesa, fica sem sentido. Defesa do quê? Se podemos voltar a ser completos, sem ter que pagar o preço elevado do suicídio, porquê tantas armas, supostamente de defesa? E, por outro lado, será que, se matarmos alguém, esse alguém é que fica completo e feliz e nós é que ficamos com o peso na consciência para toda a existência do ato praticado?
Esta visão filosófica coloca o mundo de pernas para o ar, não é?
Os outros
Uma das grandes consequências deste vazio existencial é a de apontarmos para os outros a razão da nossa incompletude e infelicidade. Quem não se consegue lembrar que o vazio que o acompanha é temporário e que, naturalmente, um dia irá desta para melhor, vai andar sempre a culpar os outros por tudo o que lhe acontece: O governo, os vizinhos, os ricos, os pobres, os estrangeiros, os islâmicos, os judeus, os não vacinados, os benfiquistas, etc... Sempre haverá alguém para culpar e assim aliviar a dor desse vazio.
O vazio não vai desaparecer. Por isso deixemos os outros em paz, eles pagarão pelos seus atos, e cuidemos do que mais facilmente podemos cuidar: Nós. O nosso potencial e o nosso vazio.
Podemos ser felizes sozinhos mas, claro, com bons amigos por perto, a felicidade será muito superior. Por isso o melhor caminho é dar. Dar pelo prazer de dar para vir a receber mais tarde de tudo e de todos, pelo prazer de receber.
Dizem que um dia perguntaram a Deus porque é que Ele, sendo omnipotente, não fazia com que todos fossem felizes e que Ele respondeu: - É muito fácil, basta que cada um seja.
Hipnoterapia
A hipnose é uma técnica bem antiga de trazer ao consciente todas as memórias vividas por uma pessoa, nesta vida e, mais estranho, noutras vidas, noutros mundos e dimensões completamente irracionais para o ego consciente terraquio comum.
O que é facto é que muitas pessoas com grandes distúrbios mentais, emocionais e até biológicos, encontram a paz de espírito para uma vida mais feliz e saudável ao descobrirem quem ou o que são, de onde vieram e o que fazem aqui, quando trazem ao consciente algumas memórias e quando percebem que as outras pessoas também têm memórias estranhas que lhes toldam o seu comportamento estranho.
O inconsciente governa mais de 90% da nossa vida. E da vida dos outros também. Poderoso não é?
Mas tu não és um computador e tens (10%) o poder de reprogramar a tua vida para cada vez melhor.
Na correria do dia a dia, distraídos com as rotinas da vida mundana, não ligamos aos sinais que a vida nos vai dando, nas várias situações em que nos sentimos únicos, diferentes, conscientes. E um dia, cansados de tanto nos apelidarem de "loucos" ou, sem querermos, tropeçarmos num evento imprevisto, que rompe abruptamente as nossas rotinas e todas as memórias antigas, especialmente as mais traumáticas, vêm ao de cima desequilibrando a nossa vida por completo. É nessa altura que precisamos de voltar a olhar para nós, para tudo o que fizémos, para os nossos talentos e valências, mas também, com amor, para o nosso vazio existencial e, nalguns casos, ter a humildade de pedir ajuda. Certamente, um irmão nosso deste planeta está por aí perto pronto a dar a mão, com amor, pois já superou ou ajudou a superar situações idênticas.
E sabe, tal como nós, que podemos sempre encontrar soluções e desfrutar da vida com alegria e felicidade em todos os momentos, por mais dramáticos que pareçam, através do amor. Esse é o único caminho.
E que tudo é temporário e, mais tarde ou mais cedo, vamos todos desta para melhor.

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